Hino da Padroeira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Senhor, tende piedade de nós!

Frei Joaquim Fonseca, OFM

O “Senhor tende piedade de nós” ou Kyrie eleison pertence ao bloco de cantos que constituem o próprio rito da celebração eucarística, ou seja, o que costumamos chamar de “ordinário da missa”.

A Instrução Geral sobre o Missal Romano nos lembra que o Kyrie, eleison, é uma aclamação e invocação da misericórdia do Senhor[1], o Kyrios. Embora consciente da dificuldade de se precisar a origem da invocação “Senhor, tende piedade de nós” e sua inclusão no rito da missa, testemunhos antigos nos revelam que os Kyrie estavam relacionados com a resposta da oração dos fiéis, na liturgia da Palavra da missa e na Liturgia das Horas. A cada invocação o povo respondia com o Kyrie, eleison. Mais tarde, este canto foi incluído nos ritos iniciais da missa após o ato penitencial ou como uma variante deste[2]. Vale lembrar que o Kyrie, eleison não deve ser confundido com o ato penitencial. O Kyrie, eleison constitui outro rito, com autonomia própria.

A mesma Instrução Geral nos recomenda que este canto seja executado por toda a assembleia. Esta orientação certamente vem corrigir os desvios históricos onde o Kyrie, eleison se transformou em uma peça musical para ser executada por musicistas especializados de coros e orquestras. Quanto à assembleia, esta praticamente se limitava à escuta. O mesmo aconteceu com o “Glória”. Mas desse último falaremos mais adiante.

O Kyrie é, portanto, uma aclamação suplicante a Cristo-Senhor e não uma forma de invocação trinitária como foi equivocamente interpretada por muito tempo. É o canto da assembleia reunida que invoca e reconhece a infinita misericórdia do Senhor. Aliás, Kyrios foi o nome mais comum dado a Cristo ressuscitado pelos primeiros cristãos.

Quanto à execução, via de regra, todo e qualquer canto que pressupõe um solista, o acompanhamento instrumental deverá ser sóbrio e discreto ou seja: o suficiente para que toda a assembleia possa escutar as palavras do texto. Quando a assembleia intervier, os instrumentos poderão tocar com um pouco mais de vigor.


[1] Cf. IGMR 52.
[2] No atual Missal Romano, a fórmula 3 do ato penitencial apresenta algumas invocações que são concluídas com o “Senhor, tende piedade de nós”. Quando se usa esta fórmula ou outra similar durante o ato penitencial, a IGMR recomenda que sejam supressas as invocações do “Senhor, tende piedade” que vêm logo a seguir.



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