Hino da Padroeira

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dízimo: expressão de fé e gratidão

Josiano Soares
Secretário paroquial                    

                                                O que é Dízimo?

Conversaremos sobre o dízimo, sua importância na vida da Igreja e de cada fiel. O dízimo é uma contribuição voluntária, regular, periódica e proporcional aos rendimentos recebidos, que todo batizado deve assumir como obrigação pessoal - mas também como direito - em relação à manutenção da vida da Igreja local onde vive sua fé. O dízimo é uma forma concreta de manifestar a fé em Deus providente, um modo de viver a esperança em seu Reino de vida e justiça, um jeito de praticar a caridade na vida em comunidade. É ato de fé, de esperança e de caridade. Pelo dízimo, podemos viver essas três importantes virtudes cristãs, chamadas de virtudes teologais, porque nos aproximam diretamente de Deus. O dízimo é compromisso de cada cristão. É uma forma de devolver a Deus, num ato de agradecimento, uma parte daquilo que se recebe. Representa a aceitação consciente do dom de Deus e a disposição fiel de colaborar com seu projeto de felicidade para todos. Dízimo é agradecimento e partilha, já que tudo o que temos e recebemos vem de Deus e pertence a Deus.


Que passagens da Bíblia nos falam do Dízimo? 

São muitíssimas. Por sua Palavra, Deus nos convida: a confiar nele, que é o único Senhor de tudo; a ser-lhe agradecidos, porque ele é a fonte de todo bem; a colaborar com ele na instauração de uma nova sociedade, em que haja partilha e comunhão de bens, e em que não haja necessitados. Nos textos que seguem, podemos conferir essa divina proposta. A título de exemplo, citamos apenas algumas passagens bíblicas. Veremos, primeiro, que os patriarcas de Israel sabiam reconhecer os dons de Deus e lhe eram agradecidos, oferecendo-lhe a décima parte de tudo o que possuíam: “Abraão deu ao Senhor a décima parte de tudo” (Gen. 14,20). Jacó disse: “Eu te darei a décima parte de tudo o que me deres” (Gen. 28,22). Através do profeta Malaquias, Javé reclama do povo a oferta do dízimo, e lhe faz a ousada proposta de fazer a experiência do dízimo, como sinal de confiança nas graças que somente ele, Javé, pode dar. Diz Javé: “Vocês perguntam: Em que te enganamos?¹ No dízimo e na contribuição. Vocês estão ameaçados de maldição, e mesmo assim estão me enganando, vocês e a nação inteira! Tragam o dízimo completo para o cofre do Templo, para que haja alimento em meu Templo. Façam essa experiência comigo. Vocês hão de ver, então, que abrirei as comportas do céu, e derramarei sobre vocês as minhas bênçãos de fartura” (MI 3,8-10).

Quanto se deve oferecer de dízimo?

Deve-se ofertar a Deus o que mandar o nosso coração e o que a nossa consciência falar. O Apóstolo Paulo assim escreve: Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria (2 Cor 9,7). Os israelitas davam dez por cento do que colhiam da terra e do trabalho. Daí vem a palavra dízimo, que significa décima parte, dez por cento daquilo que se ganha. Veja como Deus é bom. Ele lhe dá tudo. Deixa nove partes para você fazer o que precisar e quiser, e pede retorno de somente uma parte. Assim, todos somos convidados a ofertar de fato a décima parte. Mas é importante perceber o seguinte: dízimo não é esmola, nem sobra, nem migalha, pois Deus de nada precisa. Ele quer nossa gratidão. Ele quer que demos com alegria e reconhecimento e liberdade. O que se dá com alegria faz bem àquele que dá e àquele que recebe.

Deus quer que ofertemos o dízimo com alegria e liberdade. Embora a palavra dízimo tenha o significado de décima parte, ou dez por cento, cada pessoa deve livremente definir, segundo os impulsos de seu coração, sem tristeza e nem constrangimento, qual seja o percentual de seus ganhos que deve destinar ao dízimo a ser entregue para a sua comunidade. No entanto, a experiência tem comprovado que aqueles que, num passo de confiança nas promessas divinas, optaram pelo dízimo integral, isto é, pela oferta de 10% de tudo que ganham, não se arrependeram de tê-lo feito e nem sentiram falta em seus orçamentos. Ao contrário, sentem-se mais abençoados que antes, quando suas contribuições eram proporcionalmente menores. Há muitos dizimistas que dão este testemunho: quanto mais se oferece de dízimo, mais se ganha. Pois, o dízimo é um ato de fé em Deus, que não deixa na mão os que nele confiam. De qualquer modo, cada dizimista deve sentir-se livre diante de Deus para fixar o percentual de sua contribuição. O dizimista não deve preocupar-se com o que sai de seu bolso (se muito ou pouco dinheiro), mas o que sai de seu coração (se pouco ou muito amor a Deus e à comunidade).

O dízimo deve ser mensal, bimestral ou anual?

Em princípio, o dízimo deve ser oferecido cada vez que se recebe algo: o salário, uma doação ou o resultado de uma venda importante. De modo geral e prático, podemos dizer que a oferta do dízimo deve ser mensal. Assim como você recebe seu salário todo mês, assim também mensalmente deveria fazer sua oferta do dízimo. Por isso, é necessário educar-se para fazer mensalmente a oferta do dízimo. Se o católico, que recebe mensalmente o seu salário, não se educar para o dízimo mensal, ele irá dar, uma ou outra vez, aquilo que sobrar. E isso não é dízimo, mesmo que seja uma grande quantia. Se desse mensalmente apenas 1%, mas com alegria e consciência, seria melhor. Sendo uma contribuição regular e periódica, e proporcional ao ganho de cada dizimista, o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que acontece o recebimento de seus ganhos. A contribuição mensal de cada dizimista favorece também a organização da Pastoral do Dízimo, na comunidade, na paróquia e na diocese. Sabendo quanto recebe mensalmente de dízimo, a Igreja pode fazer seus orçamentos e previsões, bem como pode prestar contas regulares ao povo.

Por que, para algumas pessoas, é tão difícil oferecer o Dízimo?

Vivemos numa sociedade em que o dinheiro e o lucro ocupam o lugar de Deus e das pessoas. Jesus Cristo nos adverte que é impossível servir a dois senhores, adorando ao mesmo tempo a Deus e ao Dinheiro (Lc 16,13). Mesmo assim, há cristãos que seguem a proposta do mundo. A sociedade materialista e consumista em que vivemos nos ensina a reter, concentrar, possuir, ter, ganhar, consumir, acumular. Somos incentivados a ter corações egoístas e fechados. O Evangelho, ao contrário, nos ensina que só quem é generoso e não tem medo de repartir o que possui está, de fato, aberto para acolher os benefícios de Deus. São dois projetos bem diferentes: a sociedade consumista e egoísta ou o Reino da partilha e da justiça. É preciso fazer uma escolha entre o Reino de Deus e o reino do dinheiro.

O que o dízimo tem a ver com Deus? 

O povo de Israel foi o primeiro povo da história humana a acreditar em um só Deus, que governa todo o Universo. Foi também, o primeiro povo a acreditar que, se o homem vive, é por vontade e querer desse Deus, que criou o ser humano “à sua imagem e semelhança”. Por esse motivo passou a fazer parte da vida desse povo a retribuição, o agradecimento. Todo judeu oferecia a décima parte de seus bens, como retribuição dos bens recebidos de Deus. Como nós, cristãos, temos nossas raízes nesse povo judeu, herdamos dele certas formas de homenagear o nosso Deus, que acreditamos ser o Pai de todas as pessoas. O dízimo é uma das mais antigas formas de agradecimento do ser humano a Deus. Não podemos deixar de reconhecer que, com o passar do tempo, tais formas de retribuição foram deturpadas. O dízimo, que inicialmente era uma necessidade de o ser humano manter sua solidariedade com seus irmãos e irmãs, através da Igreja, passou a ser uma obrigação imposta pela Igreja dos tempos antigos, perdendo o verdadeiro sentido que tinha no princípio.

Antes de mexer com o bolso, o dízimo toca o coração.

Atualmente, a Igreja pretende redescobrir seu verdadeiro sentido para que nós cristãos possamos entender melhor o porquê do dízimo. Ele não é invenção humana e sim um dos mandamentos bíblicos e um excelente meio de vivermos as três grandes virtudes chamadas teologais. As virtudes teologais são chamadas assim, porque nos põem em relação direta com Deus ou porque nos levam a fazer o que faz o próprio Deus. São elas: a fé, a esperança e a caridade. Como sabemos, a Igreja é formada por pessoas que devem unir-se em comunidade. Em outras palavras, cada membro da Igreja é e deve sentir-se responsável pelos outros que formam a Igreja. Deus é Pai de todos e quer a plena realização de todos. Ora, ninguém pode chegar a essa realização sozinho. Por isso o sentido do dízimo é hoje riquíssimo, pois é um dos meios pelos quais cada cristão demonstra sua responsabilidade para manter a Igreja a que pertence, seja a Igreja-Templo, como também a Igreja-Povo.

Que relação existe entre dízimo e dinheiro?

Se o dízimo fosse apenas uma campanha financeira, com vistas a arrecadar dinheiro, não teria sentido e nem deveria existir. Por intermédio do dízimo, o cristão reconhece que deve retribuir a Deus uma parte dos bens que recebeu do próprio Deus. Dízimo é ato de gratidão a Deus. Dízimo é ato de caridade e partilha para com a Igreja. Não é taxa nem imposto que se deva pagar à Igreja, pois a Igreja não é um clube de prestação de serviços. Dízimo não é pagamento de sacramentos ou de serviços prestados pela Igreja ou pelo padre. Dízimo não se paga, se oferece. Não se cobra, se recebe. Antes de mexer com o bolso, o dízimo toca o coração. Antes de tudo, o dízimo é a manifestação da corresponsabilidade de cada um para com a comunidade cristã, da qual faz parte. Quando alguém devolve o dízimo, põe em prática a Palavra de Deus que diz: “Ofertai o dízimo” (Malaquias 3,10). Portanto, ele deve ser feito não como uma obrigação imposta, mas sim como reconhecimento de que vem de Deus tudo o que se tem e se possui. Todas as coisas pertencem a Deus, mesmo que estejam em poder de determinada pessoa. Essa atitude deve levar cada um de nós à conscientização de que fazemos parte de uma comunidade pela qual cada um de nós é responsável. Oferecer o dízimo não quer dizer isentar-se de outras responsabilidades para com a comunidade. Pelo contrário, deve ser o início de uma nova relação do fiel com sua Igreja, principalmente com a comunidade onde vive.

Onde devo entregar o Dízimo?

Diz o livro do Deuteronômio: “Então, ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolheu para estabelecer nele o seu nome, ali levareis todas as coisas que vos ordeno: vossos holocaustos, vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias e todas as ofertas escolhidas que tiverdes prometido por voto ao Senhor” (Dt 12,11s). O dízimo pertence a Deus e é no templo que deve ser entregue, ou seja, na paróquia onde vivemos regularmente nossa fé. Levar um auxílio a um pobre, fazer um donativo a uma instituição beneficente, colaborar com campanhas de solidariedade, contribuir com movimentos da Igreja e/ou movimentos sociais, dar oferta na missa... tudo isso são obras muito boas e agradáveis a Deus. Mas essas doações não substituem o dízimo e não nos isentam do nosso dízimo mensal, ofertado à paróquia onde recebemos a Palavra e os Sacramentos da salvação. Portanto, o dízimo deve ser levado à igreja. Pode ser entregue na secretaria paroquial, ou numa caixa de recebimento do dízimo que há na igreja, ou ser entregue a alguém da Pastoral do Dízimo ao final das missas e celebrações. Embora haja, em algumas paróquias, o costume de alguns fiéis saírem pelas ruas para receberem o dízimo das famílias, o ideal seria que cada fiel viesse à igreja trazer o seu dízimo. Os membros da Pastoral do Dízimo podem / devem ir de casa em casa para: levar alguma mensagem da paróquia, entregar o Jornal da Arquidiocese, lembrar o compromisso com o dízimo, entregar o relatório mensal da prestação de contas, etc. Mas, cada um deveria oferecer livre e alegremente o seu dízimo na comunidade onde vive sua fé.

Que efeitos a oferta do dízimo produz na pessoa?

O dízimo é como a semente. Lançado em terreno fértil, germina e cresce, e, com o tempo, produz frutos bons e abundantes. Com a evangelização paroquial do dízimo, observa-se que cresce, no coração do dizimista e na comunidade participativa, o espírito de fraternidade e de amor ao próximo. Traços de caridade, generosidade e partilha, se evidenciam a cada dia. Percebe-se que as pessoas, ao fazerem a experiência do dízimo, vivenciam, em suas casas e em diferentes ambientes, o fato de que nada lhes falta, principalmente o necessário para sua sobrevivência. Essas pessoas perceberam o sentido e objetivo do dízimo. Descobriram que o dízimo é um ato de louvor. É um agradecimento a Deus, por tudo o que somos e temos. O dízimo é um compromisso com Deus, com a Igreja e com os pobres. O dizimista é alguém que aprendeu a repartir. Seu dízimo é uma partilha dos bens de Deus, do que se tem e não do que sobra. Por isso, o dízimo deve vir, como diz a Bíblia, das nossas primícias, isto é, de nossos “primeiros frutos”. Deus não precisa de nossas coisas e do nosso dinheiro, mas quer nos educar à generosidade e à partilha. O dízimo nos leva a imitar Deus na generosidade: educa-nos para a vida de comunidade. O dízimo é um ato de fé em Deus e confiança na comunidade. “Quem semeia com largueza, com largueza colhe” (2 Cor 9,6). Se você já fez a experiência do dízimo: Parabéns! Persevere sempre... Se ainda não é dizimista: Não tenha medo. Faça a experiência e verá a promessa de Deus se cumprir na sua vida (Malaquias 3,10-12). Ao final de tudo, você é quem vai sair ganhando!

Para quê o dízimo, se as festas dão mais dinheiro?

As festas dão dinheiro pra quem? Para as distribuidoras de bebidas, para os camelôs, para os supermercados que as abastecem. Uma pergunta se faz necessária! Nossas festas de Igreja são evangelizadoras? Há um descontentamento generalizado no interior de nossas comunidades quanto às festas: exigem muita preparação; provocam cansaço e estresse; às vezes criam divisões e fofocas na comunidade; roubam o tempo que poderia ser usado na catequese, na oração, na evangelização, na formação de novos ministros, nos grupos de reflexão; facilitam o consumo de drogas, o exagero em bebidas e os namoros irresponsáveis; favorecem a prática de desvio de dinheiro; desagradam os vizinhos por causa do barulho. Muitas vezes, a condição de realizá-las passa por relações indecentes da Igreja com empresas comerciais e poderes públicos: vantagens, desvios de recursos públicos, doações interesseiras. Relações em que a Igreja se vende ao mercado e ao poder.

“Quem sai ganhando, na oferta do dízimo, é o próprio dizimista!”

Além disso, as festas distorcem o sentido bíblico de festa e disseminam a ideia de que a Igreja é uma empresa de fazer dinheiro. Atrapalham as relações ecumênicas, uma vez que os membros de outras igrejas cristãs nos veem como adoradores do deus-dinheiro e promotores de vícios. Fazer festa é um ato profundamente bíblico e cristão. Mas não para fazer dinheiro, nem para facilitar os vícios. As festas dos israelitas e dos primeiros cristãos eram ocasião de celebrar a vida, a fé e a organização do povo. Eram marcadas pelo espírito da alegria e da partilha. Não se pode nem se deve acabar de vez com as festas. Mas, com o incentivo da Pastoral do Dízimo e o aumento do dízimo dos fiéis, será possível diminuir drasticamente o número delas e a preocupação que nos causam. Mais que tudo isso, é importante considerar que o dízimo é um mandamento bíblico e, por isso, favorece grandemente a experiência de fé em Deus e de partilha com os irmãos.

Qual o objetivo da Equipe de Pastoral do Dízimo? 

Embora a conseqüência natural da implantação do dízimo seja um crescimento na arrecadação paroquial, o objetivo da organização da Pastoral do Dízimo nunca deveria ter essa conotação de resolver o problema de caixa da paróquia. Toda paróquia tem, com efeito, outras fontes de renda, que não são o dízimo: festas, eventos promocionais, aluguéis, doações, etc. Mas, a principal fonte de renda deve ser o dízimo. Na verdade, para sermos fiéis à Bíblia, a única fonte deveria ser o dízimo. Conseguir recursos para a evangelização, eis o carisma da Equipe de Pastoral do Dízimo! Se o dízimo fosse bem organizado, não se despenderia tanta energia, cansaços e tensões (quando não até divisões) com outras preocupações. Mas, para que haja uma boa organização do dízimo, é necessária muita evangelização. A Equipe de Pastoral do Dízimo tem esta missão: conscientizar todos os paroquianos sobre sua responsabilidade para com a comunidade paroquial onde vive e da qual faz parte. Neste sentido, importante trabalho deve ser feito exatamente junto às lideranças das pastorais, movimentos e grupos. Mais do que fazer dinheiro e aumentar a renda da paróquia, o objetivo primeiro da Equipe de Pastoral do Dízimo é: a) conscientizar os fiéis sobre a dimensão bíblica, teológica e espiritual do dízimo; b) mostrar que o dízimo é um ato de fé, de esperança e de caridade; c) testemunhar a alegria de uma vida agradecida a Deus, através da oferta mensal do dízimo.

Qual é a importância da Pastoral do Dízimo para a Paróquia?

Para que aconteça uma Pastoral de Conjunto dinâmica e atuante, é necessário que todos contribuam. A participação não é meramente financeira, mas implica também na doação pessoal de talentos e do próprio tempo à comunidade. A Equipe da Pastoral do Dízimo tem, preponderantemente, o papel de conscientizar cada participante da comunidade sobre sua responsabilidade em contribuir em todos os sentidos para com essa mesma comunidade e toda a Igreja. Caberá à Equipe de Pastoral do Dízimo prover a comunidade com os recursos materiais necessários a toda a obra evangelizadora. Todo mundo sabe que sem dinheiro não se faz nada. Para qualquer tipo de evangelização, é preciso contar não somente com pessoas e sua boa vontade, mas também com dinheiro. É preciso investir na formação de lideranças, na catequese das crianças, adolescentes e jovens, em viagens e hospedagens para cursos e estudos, no pagamento de salário justo aos padres e outros agentes de pastoral, nos materiais para a celebração. Tudo isso, e muito mais, deve ser bancado pela comunidade. A Igreja não vive de subsídios do governo, nem de coletas feitas entre as grandes empresas, nem das doações dos ricos. A Igreja vive da gratuidade de seus fiéis. Quanto mais a comunidade puder contar com recursos financeiros, mais ela poderá aplicar na obra evangelizadora. Conseguir esses recursos, eis o carisma de quem participa da Equipe de Pastoral do Dízimo!

Quais as tarefas próprias da Equipe da Pastoral do Dízimo?

O papel primordial da Equipe de Pastoral do Dízimo é o de ser conscientizadora. A ela cabe lembrar sempre aos fiéis o compromisso do dízimo como questão de fé e de confiança na Divina Providência. Mas há tarefas a serem executadas. Tarefas de cadastro de dizimistas, arrecadação do dízimo ao final das missas, redação e remessa de correspondências diversas aos dizimistas, confecção de cartazes, visitas, participações eventuais nas celebrações comemorativas do dízimo e muitas outras circunstâncias que podem surgir. Não se pode esquecer de um fator muito importante: a prestação regular e periódica de contas, das arrecadações e gastos ocorridos.

Quem pode ser membro da Equipe da Pastoral do Dízimo?

Pelo tipo de tarefas mencionadas, parece que somente deveriam membros desta Pastoral os executivos, advogados, contadores, secretárias e profissionais administrativos. Se considerarmos apenas as tarefas de cadastro e organização, é provável que fosse assim, mas lembremo-nos que a principal função da Equipe da Pastoral do Dízimo é a de ser conscientizadora da necessidade de todos serem dizimistas. Qualquer pessoa que tenha boa vontade e que saiba evangelizar (e isso é tarefa de todo cristão!) pode ser membro da Equipe de Pastoral do Dízimo! Não se pode esquecer que a Igreja não é uma empresa, um clube de serviços, uma organização qualquer. Ela é a comunidade dos servidores de Deus, dos seguidores de Cristo, dos instrumentos do Espírito Santo. Mais que a nossa tarefa, conta a graça de Deus! Por isso, toda pessoa que participa regularmente da comunidade pode ser membro da Equipe Paroquial da Pastoral do Dízimo. A condição essencial para ser membro da Equipe Paroquial é a de ser um dizimista consciente, o que implica em freqüência e participação assíduas, independente de status social, intelectual ou profissional.

Devemos fazer a nossa parte: a conscientização. E deixar que Deus opere no coração da pessoa.

Em si, não é necessário que a Equipe da Pastoral do Dízimo seja formada pelos mesmos membros da CAEP (Comissão de Assuntos Econômicos da Paróquia). Outras pessoas podem participar da Equipe da Pastoral do Dízimo, que tem dinâmica e organização próprias. Mas, é importante uma relação mútua entre ambas. Pois, o dinheiro que entra através das ofertas do Dízimo é administrado pela CAEP. Esta deverá prestar contas das entradas e saídas da economia da paróquia ou da comunidade. Só assim, a Equipe dA Pastoral do Dízimo poderá se apresentar com transparência e liberdade diante dos dizimistas, para fazer-lhes a proposta evangélica do Dízimo.

A Equipe de Pastoral do Dízimo deve insistir para uma pessoa ser dizimista?

Não se deve insistir no sentido de pegar no pé. Deve-se, porém evangelizá-la. O que devemos fazer é mostrar para a pessoa as vantagens e deixá-la livre. Devemos ser rigorosos conosco mesmos no sentido de sermos fiéis ao nosso Dízimo, de testemunharmos a graça de poder oferecê-lo mensalmente, e de nos engajarmos na conscientização dos irmãos sobre o dízimo. Oferecer a todos o máximo de informações e testemunhos. Depois disso, deixar que Deus opere no coração da pessoa. Devemos fazer a nossa parte: a conscientização.

Qual o objetivo da Equipe de Pastoral do Dízimo?

Muitas vezes a pessoa faz a opção pelo dízimo levada pela emoção do momento. Passada a emoção, não se sente mais motivada a contribuir. Por isso é importante uma conscientização que atinja o coração e a razão. Uma pessoa conscientizada dificilmente interrompe sua contribuição; ao contrário, a aumentará. A conscientização deve levar o dizimista a uma decisão pessoal, espontânea, brotada do coração, a partir de uma experiência de fé na Divina Providência e de gratidão a Deus, Criador e Senhor de todas as coisas.

O bom dizimista não se preocupa com o dinheiro que sai do bolso, mas com o amor que sai de seu coração.

Cobrança em casa?

Dízimo não se paga, se oferece; não se cobra, se recebe. Por fidelidade à Bíblia, deve-se orientar para que o dizimista entregue seu dízimo na comunidade. O povo de Deus na Bíblia, seja no Antigo, seja no Novo Testamento, ia ao Templo fazer a oferta de seu dízimo. Se o dizimista participa da comunidade, não há razão de alguém ir até sua casa para receber o dízimo. Mas, é bom que a equipe visite as casas para divulgar o dízimo, para orientar as famílias a participarem da comunidade e se tornarem dizimistas. Através deste trabalho missionário, a equipe atrai as famílias para a comunidade. Mais importante que ofertar o dízimo, é participar da vida da comunidade. O dízimo é conseqüência de uma opção por Deus, pelo Evangelho, pelo Reino, pela Igreja. Sem a vida da fé em Deus e da união com a comunidade, o dízimo se torna um peso, uma obrigação. Em vez de cobrar, cabe à Equipe de Pastoral do Dízimo receber o dízimo dos fiéis. Para isso, deve prever todos os meios possíveis: ou na secretaria paroquial; ou numa caixa coletora do dízimo; ou marcando presença no início e final das missas e celebrações. Quem atua na Equipe de Pastoral do Dízimo não deve preocupar-se em atingir o bolso dos fiéis, mas o coração deles. De sua parte, o dizimista não deve preocupar-se com o que sai de seu bolso (se muito ou pouco), mas o que sai de seu coração (se pouco ou muito amor a Deus e à comunidade). O problema não está no bolso, mas no coração.

E quando o dizimista atrasa?

A Equipe de Pastoral do Dízimo deve preparar uma mensagem especial para todos os dizimistas em atraso, lembrando-lhes o compromisso que assumiram na comunidade. Deve ser uma mensagem de lembrança e orientação, nunca de cobrança. O melhor mesmo é fazer uma visita para saber o que aconteceu. A Equipe de Pastoral do Dízimo deve prever algumas maneiras de lembrar o dizimista de seu compromisso com Deus e a Igreja. Alguns exemplos:
  • a) Enviar-lhe mensalmente (ou semestralmente, pelo menos) pelo Correio, ou entregar-lhe em casa, um relatório da prestação de contas da economia da paróquia ou comunidade;
  • b) Enviar-lhe pelo Correio mensagem pelo aniversário natalício e de casamento;
  • c) Enviar-lhe pelo Correio mensagem de Natal e de Páscoa;
  • d) Enviar-lhe pelo Correio, ou entregar-lhe em casa, o jornal ou boletim da paróquia e/ou da diocese (o Jornal da Arquidiocese é entregue pela equipe do Dízimo em muitas paróquias);
  • e) Enviar-lhe pelo Correio, ou entregar-lhe em casa, o carnê, no início de cada ano;
  • f) Animar mensalmente na Missa do Dizimista, oferecendo-a na intenção de todos os dizimistas, lendo, na oração dos fiéis, o nome dos dizimistas aniversariantes do mês (nascimento e casamento), entregando uma breve mensagem ao povo, entoando alguns cantos sobre o tema. (...)
  • g) Enfim, buscar meios criativos de manter o dizimista atento e consciente  de seu compromisso.
Deve ser feita cobrança do dízimo em casa?

Se quisermos ser fiéis ao projeto de Deus, em sua revelação sobre o dízimo, deveríamos orientar o dizimista para que entregue seu dízimo na comunidade. Se o dizimista participa da comunidade, não há razão de alguém ir até sua casa para receber o dízimo. Mas, é bom que a equipe visite as casas para divulgar o dízimo, para orientar as famílias a participarem da comunidade e se tornarem dizimistas. Através deste trabalho missionário a equipe atrai as famílias para a comunidade A Equipe de Pastoral do Dízimo deve prever os meios para receber o dízimo dos fiéis:
a) ou na secretaria paroquial; b) ou numa caixa coletora do dízimo, colocada em local visível próximo à entrada da igreja;
c) ou marcando presença no início e final das missas e celebrações.

Não fica ainda a impressão de que a Pastoral do Dízimo seja na verdade uma forma de resolver o problema da falta crônica de dinheiro nas Paróquias? 

Não. A falta crônica de dinheiro nas paróquias é consequência da ausência de uma sólida e segura Pastoral do Dízimo. A causa da falta de dinheiro é o egoísmo das pessoas, é a mentalidade consumista e dinheirista de nossa sociedade, é, enfim, a falta de conscientização da responsabilidade de todo batizado em participar e cooperar para sustentar a vida de sua comunidade de fé. O problema não está no bolso, mas no coração. Quem atua na Pastoral do Dízimo não deve preocupar-se em atingir o bolso dos fiéis, mas o coração deles. Também o dizimista não deve preocupar-se com o que sai de seu bolso (se sai muito ou pouco), mas o que sai de seu coração (se sai pouco ou muito amor a Deus e à comunidade).

“Dízimo não se paga, se oferece. Dízimo não se cobra, se recebe.”

O dízimo não é uma questão de dinheiro, de falta ou sobra de dinheiro. O dízimo é uma questão de fé. Se a Pastoral do Dízimo realizar sua missão, não como meio de angariar dinheiro, mas como evangelização, o povo começa a entender. Nosso povo tem coração aberto, tem um grande amor a Deus e à Igreja, tem desejo de participar. Mas, não admite ser enganado. Por isso, é também importante a prestação de contas, com transparência e constância.

Qual a palavra certa – Pagar ou oferecer o Dízimo? Cobrar ou receber o Dízimo?

Por tudo o que se viu até aqui, percebe-se que o dízimo é um ato de liberdade. Embora a Palavra de Deus na Bíblia o apresente como mandamento e obrigação, e até mesmo use o verbo “pagar”, é importante lembrar que Deus nunca obriga ninguém. De fato, o dízimo é uma obrigação. Mas uma obrigação que brota do coração agradecido. Por isso, é muito importante mudarmos também nossa maneira de nos referirmos ao dízimo. Se ele não é nem taxa nem imposto, ele não deve ser nem pago nem cobrado. Se o dízimo é uma oferta agradecida, a devolução de uma parte recebida, um ato livre de fé, esperança e caridade, então ele é oferecido pelo fiel e recebido pela comunidade. É muito importante que a Equipe de Pastoral do Dízimo comece a mudar o jeito de falar do dízimo. Dízimo não se paga, se oferece. Dízimo não se cobra, se recebe. Dízimo não é taxa, nem imposto, nem esmola. Dízimo é devolução, é gratidão, é ato de amor a Deus, à Igreja e aos irmãos e irmãs.

Deve-se cobrar dez por cento de cada dizimista? 

Não se deve cobrar nada de ninguém. O dízimo deve nascer do coração. É verdade que a Bíblia fala em dízimo, que quer dizer exatamente dez por cento. Mas, a Palavra de Deus não deve ser peso para ninguém. Deve-se apenas anunciar a Palavra salvadora do Senhor e convidar as pessoas a praticá-la, sem terem medo de se entregar totalmente à vontade de Deus e de acreditar no seu projeto libertador. Fica na consciência das pessoas darem o dízimo que puderem. Mesmo que não seja exatamente dez por cento, deverá ser chamado de dízimo, porque é a oferta que tal ou qual fiel quer e pode oferecer.

Como explicar às pessoas que o dízimo não é dinheiro para o bolso do padre? 

A única maneira de fazer calar alguns preconceitos que se espalharam no meio do povo é apresentar fielmente a prestação de contas do dízimo. É preciso que o povo saiba para onde vai o seu dízimo. Que ele participe das decisões quanto aos gastos, que veja as reformas da igreja, da casa e do salão paroquial, que participe de inaugurações, que controle as entradas e saídas das contas paroquiais. Quanto ao dinheiro para o padre, é preciso esclarecer que o pároco e outros padres que atuam na paróquia recebem seu salário mensal, que é, evidentemente, retirado do dízimo. Nesse sentido, é bom lembrar o texto de 1 Cor 9,4-14, onde se fala da justiça e da dignidade do salário para quem trabalha na evangelização.

Pode-se aceitar outros bens em lugar do dinheiro? 

Não se deve cobrar nada de ninguém. O dízimo deve nascer do coração. Sim, desde que se trate do dízimo mensal que o fiel quiser e puder oferecer. Isso pode acontecer sobretudo em áreas agrícolas, onde os agricultores nem sempre têm dinheiro à mão, porque dependem das vendas de cada safra. É preciso considerar, contudo, que esse tipo de oferta complica bastante o trabalho da Equipe da Pastoral do Dízimo. Pois, pode acontecer que os produtos oferecidos em espécie (alimentos, por ex.) não tenham utilidade imediata, correndo o risco de se perderem. Por isso, é aconselhável insistir que o dízimo seja oferecido em dinheiro, pois assim sua 
aplicação é mais facilitada.

Como explicar que parte do dízimo vai para a Diocese? 

Deve-se entender que a Igreja é uma comunhão de pessoas reunidas em pequenas comunidades e que estas comunidades formam uma rede, que é a paróquia, e que as paróquias formam a diocese, e que as dioceses todas juntas formam a Igreja de Cristo espalhada por todo o mundo. Quem sustenta a paróquia são as comunidades. Quem sustenta a diocese são as paróquias. O ideal seria que o dízimo fosse repassado adiante. Assim como os fiéis mantêm as comunidades com seu dízimo, estas deveriam repassar o seu dízimo para a paróquia. Esta, por sua vez, deveria repassar o seu dízimo para a diocese, e assim por diante. É claro que do jeito que está nossa economia, ainda não é possível nos organizar assim. Vive-se de festas, rifas, bingos, aluguéis, apólices, exatamente porque o dízimo não é posto fielmente em prática por todos os católicos. Uma boa evangelização sobre o dízimo nos tornaria mais fiéis à comunhão de bens proposta pelo Evangelho.

Por que partilhar o dízimo?

Quantas vezes na vida, somos chamados a partilhar com os outros as coisas que temos! Exemplo: Colocar o telefone ou carro à disposição do vizinho, em momento de urgência. Partilhar alegria e tristeza com pessoas de nossa confiança. Participar de campanhas como de agasalho, de alimentos, mutirão e outras. Na Bíblia, nos Atos dos Apóstolos, temos o exemplo de Barnabé. Sua história mostra como a vida em comunidade exigia a ruptura com o espírito de posse. Na comunidade, as pessoas aprendem a confiar de tal modo em Deus e nos irmãos e irmãs, que não precisam mais confiar nas coisas que possuem. O fiel cristão passa a viver de modo novo. Os bens são destinados ao uso de todos. Talvez haja ainda em nossas comunidades quem afirme: Mas eu sou um bom católico, uma cristã atuante, sou agente de pastoral, freqüento os Sacramentos, colaboro nas festas da minha Igreja, participo todas as vezes que o padre convoca a comunidade para um gesto concreto, faço mil coisas na Igreja... Mas tudo isso pode acontecer sem que haja espírito de partilha. Há católicos participantes que fazem tudo isso, e até de uma forma consciente. Mas nunca experimentaram a beleza do dízimo. É isso que está faltando em nossa Igreja, na vida de muitos católicos. Pois o dízimo é uma experiência maravilhosa de vida. É uma forma de experimentar Deus. Um exercício de gratidão e de confiança na Divina Providência.

Qual a bênção que acompanha a oferta do dízimo? 

A primeira impressão, para as pessoas que não têm conhecimento sobre o dízimo, é estranha, e, às vezes, com crítica: o padre agora só quer falar de dinheiro. Muita gente não sabe que o dízimo vem acompanhado com uma promessa de bênção divina. Em muitas passagens da Bíblia, o próprio Deus pede o dízimo, isto é, a décima parte do que as pessoas têm ou produzem. Deus quer que o seu povo não confie nos bens do mundo, mas somente no seu amor. Deus pede ao seu povo que partilhe com a comunidade aquilo que é fruto da bondade divina.

Dízimo é oferta de gratidão a Deus e de partilha com a comunidade.

  • Dízimo não é taxa, porque a Igreja não é um clube. Dízimo não é imposto, porque a Igreja não é uma sociedade qualquer. Dízimo é oferta de gratidão a Deus e de partilha com a comunidade.
  • Dízimo não é pagamento antecipado por serviços que, depois, se poderia cobrar da Igreja. Como se o dizimista tivesse direito a serviços especiais! Dízimo não se paga, dízimo se oferece.
  • Dízimo não se cobra, dízimo se recebe. Só Deus é o Senhor de todas as coisas. Tudo dele recebemos. Por mais que alguém entregue seu dízimo a Deus e à Igreja, nunca conseguirá passar na frente do amor de Deus por nós.
A opção pelo dízimo é como uma colheita: nós devemos acreditar. Deus é fonte de toda a criação e tudo o que Deus-Pai realiza nas pessoas e no mundo, ele o faz por meio de Jesus Cristo. O dízimo é como uma semente. Nela temos a garantia e segurança de que produzirá frutos. Os irmãos e irmãs de nossa Igreja começarão a falar coisas novas. Olharão as construções feitas em mutirão e dirão com alegria: isto é fruto do nosso esforço e do nosso trabalho comunitário. Aí vamos começar a ver uma nova Igreja ou uma nova maneira de ser Igreja. Com isso, a catequese muda, a mentalidade e a prática egoístas se acabam e surgem os resultados. As celebrações começam a ter mais vida. As crianças, os jovens e os adultos se tornarão diferentes, porque serão transformados pela confiança na Palavra de Deus e pela experiência do amor de Deus.

Pode-se dizer que todo dizimista é evangelizador?

Pela organização da Pastoral do Dízimo e pela oferta mensal do dízimo, todos saem ganhando: a comunidade e o dizimista. A comunidade se torna renovada e evangelizadora. Pelo dízimo, os fiéis ajudam a Igreja a cumprir sua missão de evangelizar. Por isso, quem contribui com o dízimo é também evangelizador. Mesmo que não possa ou não saiba anunciar a Palavra de Deus, mesmo que não possa sair de sua casa e de sua terra para ir pelo bairro e pelo mundo a anunciar o Evangelho, o dizimista é um evangelizador. Porque estará sustentando a obra evangelizadora dos agentes de pastoral, dos catequistas, dos ministros, dos animadores de grupos de reflexão. O próprio ato de ofertar o dízimo revela que alguém foi evangelizado e se tornou evangelizador. Com a oferta do dízimo, a Igreja se torna também mais viva e participativa. Terá mais motivos para celebrar sua vida e sua fé. Pelo dízimo, os fiéis ajudam a liturgia da Igreja, colaboram para a manutenção da Igreja, para a celebração da missa e dos outros sacramentos, para a compra das coisas necessárias para uma celebração bonita e festiva (paramentos, objetos sagrados, livros, folhetos, flores, velas, etc.). Mesmo que não possa participar da equipe de liturgia e de celebração, o dizimista é um celebrante. Sua oferta é sua celebração. Seu dízimo acompanha o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai na cruz e que a Igreja comemora em cada missa.

Pode-se dizer que todo dizimista é catequista? 

Com a oferta do dízimo, a comunidade se torna toda ela catequizadora. É com a oferta do dízimo de seus fiéis que a paróquia consegue comprar todos os materiais necessários para a catequese das crianças, adolescentes e jovens. Pelo dízimo de seus fiéis, a paróquia consegue investir na formação permanente de seus catequistas e na formação de novos catequistas. Por isso, quem contribui com o dízimo é catequista. Mesmo que não saiba dar catequese, nem possa tirar um pouco de seu tempo para esse trabalho tão central na vida da Igreja, o dizimista é um catequista. Pois é por meio de sua oferta que a Igreja mantém essa frente tão significativa da evangelização.

Dízimo é oferta de gratidão a Deus e de partilha com a comunidade.

Com a oferta do dízimo de seus fiéis, a comunidade se torna solidária e samaritana. A Igreja tem a missão de socorrer a necessidade das pessoas pobres. Ela tem a missão de anunciar um Reino de justiça e paz. Por isso, atua em muitas frentes de organização social. São muitas as Pastorais Sociais que ela mantém. De mil maneiras, uma paróquia se debruça sobre as carências do povo. O dizimista, mesmo que não tenha tempo e disposição e carisma e coragem, para esse tipo de atividade, mesmo assim, ele é, no fundo, um profeta, um samaritano, um transformador da realidade. Porque é através de sua oferta que a Igreja realiza esse tipo de atividades. Como vimos, todo dizimista, pelo simples fato de sua oferta mensal, já é um evangelizador, um liturgista, um catequista e um agente da pastoral social da Igreja. É claro, porém, que não basta oferecer o dízimo. Quando se abre o bolso para repartir o dinheiro, é porque o coração já foi aberto para repartir o tempo, as qualidades e os talentos, a fim de se engajar na vida da Igreja e na obra da evangelização.

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